Weby shortcut
Youtubeplay

Tema

Atualizado em 10/10/18 14:03.

Utopias e Distopias: Modos Culturais, Mídia e Cidadania

 

A intenção é refletir a respeito das diferenças. Diferenças que têm um caráter pluralista, e não dicotômico, no sentido de que são vistas, percebidas e, mais importante de tudo, sentidas nas mais diversas áreas do conhecimento, tanto científico quanto popular. Não se trata só de A ou B. Sem uma reflexão sobre nossas utopias e distopias, portanto, ficamos à deriva, sem rumo. Mesmo sendo a utopia uma ilusão, continuamos nosso sonho. Mas e se não sonharmos mais? Há quem enxergue tudo de outra forma, sem esperança. Essa outra forma é o niilismo reativo, recalcitrante, pessimista. Esse niilismo negativo, digamos, chama-se distopia. Um nada. É o contrário da utopia. Porém, e daí a importância do debate, a utopia pode se transformar em algo perverso, como no 11 de Setembro de 2001, por exemplo, quando terroristas atacaram a então inexpugnável nação norte-americana.

Esse conflito Teixeira Coelho, um dos nossos convidados, denominará de “guerras culturais” (e a Comunicação é que dá visibilidade a isso tudo). Diz ele que essas várias culturas estão permanentemente em guerra, uma guerra – como toda guerra - paradoxal, isso porque ela se intensificou no século 20 graças aos mesmos meios tecnológicos que têm servido, por outro lado, para nossa difusão cultural, que é a temática das polaridades. As polaridades (teoria-empiria, mente-corpo, indivíduo-sociedade) nem sempre tomam uma configuração oposta. São antagônicas, sim, mas, simultaneamente, complementares.

Em meio a isso, a cultura, a mídia e a cidadania. Resta saber se o “desencantamento do mundo” weberiano, considerando aqueles termos “tópicos”, traveste-se, na atualidade, de uma ontologia niilista. Leia-se: o sentimento de perda da realidade. Não foi Heidegger que propôs um mergulho profundo no Ser? Ser, este conceito universal, mas que, segundo Heidegger, permanece obscuro. O resultado está aí sob uma forma interrogativa que este seminário nos aponta. O que motiva o ser? Qual é, na verdade, para citar uma ideia de outro alemão, Georg Simmel, o “rei secreto” (imaginário) desta época? Este encontro, portanto, que esperamos seja proveitoso, é só um minúsculo passo para nosso longo caminho investigativo em função dessa vasta e desafiadora constelação simbólica dos contrários, das positividades e negatividades culturais. Isso porque, para o pior ou para o melhor, não se interage no vazio. Para finalizar, poderíamos citar outro pensador das polaridades (entre vários outros), além de Teixeira Coelho, que faz um questionamento sério: “Como pode o homem, apesar da vida, tornar-se poeta”. Esse é o ponto. Esse é o ponto entre a vida e a arte de viver.

(Prof. Dr. Eduardo Portanova Barros)

Listar Todas Voltar